Durante anos, a publicidade digital foi construída sobretudo à volta de pesquisas, interesses, audiências e palavras-chave.
Agora surge um novo espaço publicitário: a própria conversa.
A OpenAI começou a introduzir anúncios no ChatGPT e está a expandir o seu Ads Manager para novos mercados. Portugal já surge na documentação oficial mais recente como um dos países com acesso self-service disponível.
Mas a verdadeira novidade não está simplesmente no facto de haver anúncios no ChatGPT.
Está na forma como esses anúncios podem ser apresentados.
Da palavra-chave para a intenção
No Google Ads, alguém pode pesquisar:
“melhor software faturação”
Num assistente de inteligência artificial, a mesma pessoa pode escrever:
“Tenho uma pequena empresa com três funcionários, vendo serviços e produtos e preciso de um programa de faturação simples que funcione em Portugal. O que recomendas?”
A diferença é enorme.
Na segunda situação existe muito mais contexto sobre aquilo que a pessoa pretende, o problema que está a tentar resolver e o momento da decisão em que se encontra.
É precisamente aqui que a publicidade no ChatGPT se torna particularmente interessante.
Segundo a OpenAI, o sistema pode considerar sinais como o contexto e a intenção da conversa atual, a página de destino, o anúncio e indicações de contexto fornecidas pelo próprio anunciante para determinar quando uma campanha poderá ser relevante.
Ou seja, não estamos simplesmente perante mais um sistema de correspondência de palavras-chave.
Estamos perante publicidade baseada em intenção conversacional.
Como aparecem os anúncios no ChatGPT?
Os anúncios são apresentados separadamente das respostas do ChatGPT e claramente identificados como conteúdo patrocinado.
Podem incluir:
- nome do anunciante;
- logótipo;
- título;
- descrição;
- imagem;
- ligação para uma página de destino.
A OpenAI afirma também que os anunciantes não podem alterar ou influenciar as respostas geradas pelo ChatGPT.
O anúncio é uma colocação publicitária independente da resposta.
Quanto custa anunciar no ChatGPT?
A plataforma está ainda em fase de evolução, mas o Ads Manager já disponibiliza diferentes modelos de campanha.
Atualmente existem campanhas orientadas para:
Alcance >> CPM
Pagamento por cada mil impressões.
Cliques >> CPC
Pagamento por clique válido no anúncio.
Conversões >> oCPC
A plataforma procura apresentar os anúncios a utilizadores com maior probabilidade de realizar uma determinada conversão depois do clique, continuando o anunciante a pagar pelos cliques.
A OpenAI recomenda atualmente, como ponto de partida para campanhas CPC, um lance máximo de aproximadamente 3 a 5 dólares por clique.
Naturalmente, isto não significa que esse será o custo efetivo de todas as campanhas. Tal como noutras plataformas, preço, concorrência, relevância, mercado e desempenho deverão ter um impacto importante.
E podemos medir resultados?
Sim.
O Ads Manager já permite acompanhar métricas como:
- impressões;
- cliques;
- investimento;
- CTR;
- CPC médio;
- CPM médio;
- conversões.
Também é possível utilizar parâmetros UTM e configurar medição de conversões através das ferramentas disponibilizadas pela OpenAI.
Para empresas e agências habituadas a trabalhar com Google Ads ou Meta Ads, a lógica de medição será, portanto, relativamente familiar.
Quem verá estes anúncios?
Os anúncios estão associados sobretudo à experiência dos utilizadores dos planos gratuitos e Go do ChatGPT.
Os planos Plus, Pro, Business, Enterprise e Edu permanecem sem anúncios.
A OpenAI refere ainda que os anúncios não são apresentados a contas identificadas como pertencendo a menores de 18 anos e que os anunciantes não recebem acesso às conversas privadas dos utilizadores.
Porque é que isto pode ser importante para as empresas?
Porque o comportamento de pesquisa está a mudar.
Durante anos, grande parte da jornada digital começava num motor de pesquisa:
pesquisar → visitar vários websites → comparar → decidir.
Cada vez mais, uma parte desse processo poderá acontecer dentro de uma conversa com inteligência artificial:
perguntar → explicar o problema → comparar soluções → decidir.
Para uma marca, poder aparecer precisamente nessa fase de exploração e decisão pode tornar-se extremamente valioso.
Imagine alguém perguntar:
“Qual é uma boa empresa para instalar painéis solares?”
“Que software devo escolher para gerir a minha empresa?”
“Que hotel recomendarias para uma escapadinha em família?”
“Preciso de uma agência para criar um novo website.”
“Qual é o melhor equipamento para começar este hobby?”
É neste tipo de contexto que a publicidade conversacional poderá encontrar o seu espaço.
Isto vai substituir o Google Ads ou o Meta Ads?
Não tão cedo.
Google, Meta, LinkedIn, TikTok e outras plataformas continuam a representar ecossistemas publicitários extremamente importantes.
Mas poderá surgir mais um canal no percurso de compra.
E existe uma diferença importante.
No Google, competimos muitas vezes por uma pesquisa.
Nas redes sociais, competimos pela atenção.
Num assistente de IA, podemos começar a competir pela consideração durante uma decisão.
São contextos diferentes e, provavelmente, terão estratégias diferentes.
O que recomendamos às empresas?
Nesta fase inicial, não recomendamos simplesmente transferir orçamento de outras plataformas para o ChatGPT.
Recomendamos algo mais interessante:
testar.
As primeiras fases de novas plataformas publicitárias são precisamente aquelas em que existe mais aprendizagem por fazer.
É necessário perceber:
- que produtos ou serviços funcionam melhor;
- que tipo de intenção gera resultados;
- quais as mensagens que conseguem maior relevância;
- quanto custa adquirir um cliente;
- e como este canal se integra com Google Ads, Meta Ads, SEO e restantes estratégias digitais.
Para algumas empresas poderá tornar-se um canal importante.
Para outras poderá não fazer sentido.
Os dados terão de responder.
O marketing digital está novamente a mudar
A chegada da inteligência artificial generativa já começou a alterar a forma como pesquisamos informação.
Agora começa também a alterar a forma como as empresas podem aparecer durante essa pesquisa.
SEO, Google Ads, redes sociais e publicidade tradicional não desaparecem.
Mas começa a surgir um novo conceito:
estar presente nas respostas, nas pesquisas e nas conversas que ajudam um cliente a tomar uma decisão.
Na Easymarketing.pt estamos a acompanhar de perto esta evolução e a testar as novas oportunidades que a inteligência artificial está a criar para empresas e marcas.
Porque quando a forma de pesquisar muda, a forma de fazer marketing também tem de mudar.

